Devaneio

Aproximo-me da varanda
E agarro-me às frias barras cinzentas.
Observo as imponentes ondas,
Enquanto o vento me sussurra
Frases soltas e lentas.
À medida que tendo a minha cabeça,
Sinto um ligeiro respirar no meu pescoço.
Imagino as tuas mãos
No meu inerte corpo.
Entrego-me a esta ilusão
A esta visão, à apatia.
Ergo o meu olhar para o infindável céu,
As nuvens tão graciosas e vazias.
Nada mais do que seres ocos.
Subitamente, o teu toque pára
E afasta-se. A minha essência.
Os teus lábios desvanecem
Tal como um frágil sopro.
Volto-me e encaro a minha existência.
Permaneço estática, distante
Com o coração repentinamente morto.

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