Madrugada

    "O sol já há muito se pôs.
    Entre as portadas brancas e envelhecidas da sala, a terra rasgada pela água.
    Saíste. Não sei sequer por que cá estavas... Seria uma festa? Sim, uma festa. Recordo conversas entre rostos familiares.
    Vejo-me só, sob a luz da lua, ainda a namorar as estrelas douradas coladas na escuridão do espaço. Ouço um carro, "serás tu?"... Rio. P'ra estas perguntas, a melhor resposta será sempre rir.
    Uma das estrelas cresce - consigo definir-lhe o brilho. E cai. Aterra mesmo à minha frente. Lá dentro, a curiosidade. Cai uma outra e ainda outra, até que no céu, apenas a lua. Só a lua.
    Corro p'ra casa, mostro o que trouxe. Vejo-te à porta.
    O sangue  corre e ferve em mim, entusiasma o meu fatigado coração. Pego na tua mão e puxo-te até ao jardim. Quero partilhar contigo... "Pega numa estrela".
    Beijas-me. E voltas a beijar-me... Agarras-me como se soubesses que não haverá amanhã. O tempo pára, ou acelera. Passam horas e dias pelos quilómetros de peles entrelaçadas.
                Devolves-me a estrela. Dizes-me p'rá colar no céu. 
                Queres vê-la brilhar p'ra ti."
 19.01.2012

"Tuesday Tenderness" | Miss Scarlet Red

4 degraus subidos:

  1. ººº
    Escrita intensa. O Jota gostou da cadência deste texto. Excelente tom narrativo. (Credo até pareço um professor de estudos portugueses, lol)...

    Beijos!!

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  2. Subir à cadeira da imaginação e colar uma estrela no céu!!
    Que imagem mais linda!
    Que sensibilidade bonita...!
    Beijinhos.

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