Carta

Escrevo-te 
Como se numa primavera
Donde conheço as estações
Que vou escolher não sair.
Escrevo-te 
Como se não houvesse manhãs
Em que me amparo
No difícil
P'ra te diminuir.

A luz do ocaso
Desenha a ilusão de quem és -
Perfeito,
Aos batimentos do meu coração.
Numa cena de filme romântico, 
O desejo viral em função.

Puxo-te do cavalo branco.
Quero-te real.

Êxodo

Diana Tavares | Fotografia
Quente -
O aperto contra o teu peito 
Exaltado, manchado
P'lo vibrar de corpo choroso.
Não.
Não sei que mais 
Podes querer.
Amo-te.
Largo-te em sequência lenta,
De cara virada, vidrada 
P'las janelas afogadas.
Abro a porta ao som 
Das pedras nos passos
Em distância.
Conto as peças de mim  
Encontradas nos turnos diários
Em ressonância.

06.03 & 17.04.2012

Capítulos

Miss Scarlet Red
Apenas sombras na tua,
Apaixonadas p'lo que
Queres ser.
Apenas linhas entre pontos,
De compreensão hipotética e
Esquecida em analogias 
Do crescer.
Num meio-termo triangular,
Seremos cor na cor duma
Reciprocidade insultuosa
Ao teor da palavra 
Amar.

  E lá vestiu ele
O papel de Cinderela,
O príncipe: eu,
Nela.

Março & 15.04.2012

P'lo Ombro

Transpõem as palavras 
Da caneta dançante,
Enlaçam nas intoleráveis lágrimas.
Não penso,
Escrevo
 - Como se não dormente.

O tempo rasteja lento
Com a boca muda
Na mudez da mente;
O rádio não entoa os
Escritos dos livros fechados.
Como dorme o corpo e 
Não a alma que o preenche?

Porque não me escutas, 
Não me sentes?
Porque não me dás atenção,
A tua vida?

16.12.05 & 05.04.12

"Tu és a minha luz" | Irreversível